segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Barquinhos à deriva



"Quando vivemos a margem de nós mesmos nos tornamos apenas sombras do que deveríamos ter sido. Passamos a maior parte do tempo que dispomos idealizando e não realizando. Nos tornamos marionetes do destino, barquinhos à deriva no grande mar da vida".
(Amelie Amora)

Por mais que tentasse não conseguia crescer.
A imagem refletida no espelho não condizia com a pessoa de quem tinha lembranças.
O coração batia apertado no peito... Parecia grande demais.
Olhava o mundo ao seu redor e se sentia fora do contexto, uma pessoa pequena em meio a tantos estranhos.
As pessoas haviam mudado, já não eram mais as mesmas e ela não conseguia acompanhar essas mudanças.
A sua imagem perante os outros também havia mudado, a olhavam de forma diferente... A analisavam, e ela não gostava de ser analisada.
Sentia-se como um barquinho à deriva que o vento toca a seu bel dispor.
Não conseguia ter vontade própria, era empurrada por uma enxurrada de acontecimentos que a sufocavam, não davam tempo para que ela tentasse ser quem realmente era e isso a afligia.
Via a sua vida passando a grandes passos e não tinha tempo para viver. Tinha medo de não dar conta de ser feliz um dia. Tinha medo de viver sempre à margem do que deveria ter sido.
Não era fácil ser quem era. E mais difícil ainda saber que não a deixavam ser quem realmente deveria.
Sonhava que o melhor da festa ainda estava por vir, queria fazer parte daquilo e por isso não desistia. Ansiava fazer parte de algo maior, assumir o seu papel... Ser a protagonista desse grande espetáculo que era a sua vida.

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